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Carlos González, o pediatra que encanta o mundo materno

Por Juliana Fonseca Em 24.11.2016 Categoria: Saúde e bem estar

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Carlos González encanta mundo materno

Ele se define como “um pediatra a favor das crianças”. Seus ensinamentos e reflexões nos levam a pensar e repensar sobre assuntos que estão presentes diariamente na vida de quem resolveu ter filhos. O médico espanhol Carlos González, 56 anos, esteve no Brasil na última semana participando de uma série de encontros com pais e profissionais de saúde, em São Paulo.

Na palestra promovida pela Editora Timo, em 19 de novembro, cerca de 200 pessoas lotaram a plateia. Eram mães, pais, profissionais de saúde e da imprensa especializada e muitas crianças (sim, elas eram bem vindas e tinham espaço próprio no evento).

gonzales02Dono de um bom humor notável, o pediatra encantou o público presente com suas afirmações “fora do comum”. Mas o que ele tem de especial? Não seria o “normal” um profissional de pediatria ser a favor de nossos filhos? O grande diferencial do médico catalão é que ele prega RESPEITO às crianças. Ele fala sobre nossas origens, nossa espécie e como as regras foram sendo engessadas ao longo da evolução humana. Além disso, o pediatra é defensor do colo, do afeto sem limites e da amamentação. Com muita simplicidade e propriedade, Dr Carlos González nos leva a refletir sobre a importância de “quebrar certas regras” durante a criação dos filhos.

Comportamento humano X criação de filhos

“Cada animal faz o que tem de fazer. Não costumamos julgar coelhos, gatos e cabras quanto à criação de seus filhotes. As crianças humanas são as mais desamparadas de todos os animais. Elas precisam de cuidados por muito tempo. Vamos pensar juntos sobre o que aconteceria se nossos antepassados deixassem o bebê no chão, sozinho, e saíssem para caçar. Essa criança não sobreviveria”, reflete o pediatra abrindo a palestra.

“Trazendo para os dias atuais, uma mãe que deixa o filho no berçário é uma mãe ruim? Claro que não. Mas a criança não entende onde está a mãe, quando ela voltará e quem vai lhe cuidar. Um bebê só entende se a mãe está ou não está. Não importa se ela foi ao banheiro ou ao quarto do lado. Crianças pequenas, assim como os animais, não pensam, só choram. E, acreditem, elas não estão tramando para a mãe se sentir culpada. Você só chora na presença de alguém que pode lhe ajudar a resolver seu problema”, analisa Dr González.

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“Não tem porque ser diferente”

Segundo o pediatra, apenas próximo aos três anos de idade é que a criança começa a entender essa separação da mãe e a aceitar melhor, por exemplo, a ida à escola. “Aos sete anos, um chimpanzé já está casado. Aos sete anos, muitas crianças humanas não sabem amarrar o próprio tênis”, revela. “Nas tribos primitivas, ou a mãe cuidava da cria ou deixava morrer. Nós somos descendentes das mães que cuidavam dos filhos. Não tem porque ser diferente”, afirma.

Para González, instinto materno não é o desejo de ter filhos: “É quando você cuida, alimenta e protege. E se você escolheu ter filhos é porque acredita que a vida é melhor com eles”. Segundo o médico, a teoria do apego, da qual é defensor, vem da década de 50: “o vínculo afetivo e persistente é uma necessidade primária do ser humano e isso se estende por toda a vida. O bebê é quem estabelece essa relação primária e nenhuma mãe que conheci gostaria de ser secundária”. Sobre a presença do pai, o pediatra foi categórico: “se o pai não abrir os olhos, ele será a quarta ou quinta figura de apego na vida da criança”.

“Continua a meu lado, mãe, e eu serei forte”

Ainda segundo Dr Carlos, o bebê usa a mãe como uma base segura: “Ele é forte quando a mãe está. A criança pequena sente falta da presença materna assim como sente uma desagradável sensação com a fome. Quando a mãe está ali, ela é forte o suficiente para explorar e ser independente”. E completa: “Conforme a criança vai crescendo, a conduta de apego vai mudando. E você, mãe, espera que ela não desapareça nunca”.

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González ainda levou o público a refletir sobre a ausência: “Num relacionamento de apego, a falta da pessoa primária vai ditar uma conduta. Se tudo que estou falando fosse o contrário, as crianças de orfanatos seriam as mais fortes. E sabemos que isso não é a realidade”.

Sobre as teorias do “não faça do bebê o centro da sua vida” e “não esqueça a vida de casal”, o pediatra se diz insultado: “Nós maridos não somos tão burros. Para tratar da vida do casal, não precisa se separar do bebê. Afinal, depois que nos tornamos pais deixamos de ser casal e viramos família”.

Família inteira assiste ao encontro

A chef de cozinha Cintia Dumiense foi à palestra com o marido, Diego, e os filhos Oto, de 1 ano, e Alana, de 2 anos e 8 meses: “Tudo que refere a filho diz questão à família inteira. Pra gente é mais saudável vir juntos e compartilhar as abordagens. Nós já conhecíamos muita coisa do Dr Carlos e gostamos muito da sua visão mais humanista em relação à educação e alimentação. Adoramos participar”, revela.

Para Ana Basaglia, publisher da Editora Timo, que trouxe o médico ao Brasil, a vinda de González foi positiva: “Estamos muito orgulhosos de conseguir trazê-lo. Nosso grande objetivo foi expandir esse discurso de amor, da criação com apego e da confiança no filho. Ficamos satisfeitos com o resultado e adesão das famílias”, revela.

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Eu, meu livro e Dr Carlos González

Carlos González é também autor de diversos livros, já vendeu 350 mil exemplares só na Espanha e teve seus títulos traduzidos para 12 idiomas. No Brasil, tem três livros publicados. Os exemplares podem ser conferidos e comprados no site da EDITORA TIMO

No próximo post, falaremos sobre seu novo título no Brasil “Meu filho não come”.

NOTA DO BLOG: Participei do encontro em São paulo, a convite da Editora Timo. Obrigada.

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  1. Christiane disse: em 24.11.2016

    Ameeeeei!!! Principalmente a parte do:Sobre as teorias do “não faça do bebê o centro da sua vida” e “não esqueça a vida de casal”, o pediatra se diz insultado: “Nós maridos não somos tão burros. Para tratar da vida do casal, não precisa se separar do bebê. Afinal, depois que nos tornamos pais deixamos de ser casal e viramos família”. Ele falou extamente o que eu sempre pensei! Seria a mesma coisa de casar e querer continuar na vida de solteiro. 👏👏👏👏👏👏👏👏👏

  2. Haidée Camelo Fonseca disse: em 24.11.2016

    Sorte de quem tem acesso à orientação! O mundo mudou, a comunicação é mais fácil. As mães e os pais talvez aprendam a não errar tanto! Ou talvez cometam outros erros… A vida vem sem manual! Muito bom o caminho que o blog está tomando! Informações ricas e pertinentes!

  3. Nazare Fonseca disse: em 24.11.2016

    Nesse mundo complexo da maternidade e sua relação com a medicina é um alivio ler uma matéria assim e conhecer médicos que exercem a profissão em nome do amor. Parabéns pela matéria.

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