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E se alguém dissesse que as lembranças da sua infância não são reais?

Por Juliana Fonseca Em 01.06.2017 Categoria: Saúde e bem estar


Maternidade: caminho de autoconhecimento

A experiência da maternidade, e mais especificamente do parto, é como “abrir uma porta” para a maioria das mulheres. Diante desse novo caminho, a recém mãe entra numa jornada de auto conhecimento profunda, como talvez nunca tenha vivenciado antes.

A teoria é da psicopedagoga argentina Laura Gutman. Segundo ela, esse é um campo emocional totalmente desconhecido: “Tudo que essa mulher viveu no passado, mesmo que não tenha registro, influencia na nova fase. As experiências e vivências das quais ela não tem lembranças começam a surgir justamente nesse período de fusão emocional com o bebê. Essa é a loucura do puerpério”, afirma.

Quem é Laura Gutman

Autora de doze livros que abordam o universo da maternidade, quatro deles já traduzidos para o português, Laura Gutman esteve recentemente no Brasil para palestrar no Seminário Internacional Mãe também é gente, promovido pela revista Pais & Filhos, em São Paulo. Há 35 anos, ela estuda e observa a chamada ‘fusão emocional’ entre mães e bebês e afirma categoricamente que ter uma criança é uma oportunidade única de mergulho no campo do autoconhecimento. “Nossos filhos precisam que a gente abra nossas portas porque disso depende o futuro deles e da humanidade”, completa Laura.

Fusão emocional

Para ilustrar essa situação de fusão, a autora sugere que imaginemos a relação mãe e bebê diante de um grande tanque de água: “Cada gota representa uma experiência da mãe. Se ela compartilha esse território emocional, o bebê sentirá que sua mãe está conectada ao que ele precisa”. Profundo? Laura Gutman vai além: “Sonhos, pesadelos, medos, angústias… tudo influencia o seu campo emocional a partir daquele momento”. Segundo a terapeuta, muitas mulheres resolvem sair do ‘tanque de água’ porque acham que estão ficando loucas com tantas lembranças e se angustiam: “Esse é o verdadeiro puerpério”, revela.

E se as lembranças da infância não forem reais? 

Nesse livro, Laura fala sobre os ‘personagens’

A argentina afirma ainda que cada mulher vai perceber a situação de uma forma muito particular e que essa é uma grande oportunidade de conhecer a própria realidade emocional: “A saída é ressarcir o que quer que tenha acontecido na sua vida, se conectar com o seu bebê e entender que aquela criança não veio para machucar”, completa Laura. E quando a mãe não consegue compreender certos sentimentos porque acredita que teve uma infância completamente feliz? “Isso é o que dizem os seus personagens”, afirma Laura. Segundo ela, algumas mulheres “mandam para a sombra” a infância completa. Ou seja, simplesmente apagam da memória situações que não foram legais e passam a acreditar apenas no que dizem as pessoas que a cercavam quando crianças, os ‘personagens’.

“Vale muito a pena ter uma criança por perto”

Laura defende que a maternidade é um encontro com a própria sombra (título de um dos seus livros) e pode ser vista como uma situação de ruptura na vida da mulher. Quanto tempo dura esse puerpério? Vai depender de cada uma: “Quando abrimos a porta, a mudança pode ser espiritual, emocional e afetiva. E talvez essa porta nunca mais seja fechada”, diz a autora. E completa: “Vale muito a pena ter uma criança por perto. Você estará se permitindo voltar a se encontrar com algo mais verdadeiro que é mudar após ser mãe. Devemos aproveitar a perfeição de cada criança para que possamos alcançar a verdade e amar ao próximo mais e melhor. E isso muda o mundo”.

Lindo né? Profundo!! Foi a segunda vez que tive a oportunidade de assistir a uma palestra da Laura e sempre saio “mexida” e emocionada.

E vocês, o que acharam?

Para conhecer os livros da autora: Laura Gutman

Nota: O blog é parceiro da revista Pais & Filhos! Vem mais conteúdo sobre o seminário por aí!!

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  1. Camila Simões disse: em 01.06.2017

    Conhecia o livro (não li) mas não tive ainda a oportunidade de assistir uma palestra dela. Interessante isso né Jú, somos seres incríveis mesmo, eu lembro de ter esse montante de emoções mas não tinha informação sobre o que era, ia vivendo um dia de cada vez. Ter informação faz toda a diferença. Obrigada pela publicação!! 💕

    • Juliana Fonseca disse: em 01.06.2017

      Ela é daquelas pessoas que nos reviram pelo avesso, sabe? Muito intenso! Que bom que você gostou, Cá! Feliz por sua visita aqui!!

  2. Regina disse: em 01.06.2017

    Realmente a maternidade vira nossa vida e muitas vezes os nossos conceitos de ponta cabeça. É muita loucura!!!! Vou querer ler estes livros.

    • Juliana Fonseca disse: em 02.06.2017

      Vale a pena conhecer a autora, Rê!! Loucura boa danada né?? Rsrsrs… Beijos e obrigada pela visita!

  3. Carol disse: em 01.06.2017

    Não conhecia Ju, vou pesquisar sobre ela e o livro ❤️

    • Juliana Fonseca disse: em 02.06.2017

      Oi, Carol! Vale a pena a leitura, viu? Beijos e obrigada por estar aqui!

  4. Haidee Camelo disse: em 02.06.2017

    O blog traz, a cada dia, informações mais pertinentes. O conteúdo se aprofunda e supermaeativar vai se tornando importante canal de reflexões e crescimento para as mães que têm a sorte de acessá-lo. Vou continuar a divulgar para as jovens mães…

  5. Juliana disse: em 04.06.2017

    Excelente conteúdo, essa ação de apagar o “ruim” da memória é uma ferramenta de sobrevivência feliz até hoje. Consequentemente precisei de coach para entender esses sentimentos abafados. Trabalho isso todos os dias.

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