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Relato de parto: Filha de Júpiter

Por Juliana Fonseca Em 09.02.2016 Categoria: Sem categoria

Chegada JU 01

Bonito, Mato Grosso do Sul. Últimos dias de uma gravidez tranquila, sem a azia e as câimbras que tinham me atormentado na primeira. Estava longe da família e me agarrava com todas as forças ao pequeno, então com dois anos, e ao bebê que trazia, sem saber se era menino ou menina. Não importava. Acariciava carinhosamente e sem parar o ossinho fino que me empurrava a barriga por dentro. É uma lembrança forte que sempre me traz um sorriso comovido: aquele ossinho de bebê… eu ficava pensando: será o cotovelo? Será o calcanhar? E ficávamos horas conversando. Já fazia parte da nossa vida a tal ponto que o irmãozinho lhe oferecia o que tinha em mãos… bombom, pirulito, biscoito… Era sempre: “Quer?”.

Chegou o carnaval de 1978. Não tinha por perto meus irmãos, meus pais, meus amigos que gostavam tanto de brincar, mas saí e dancei um pouco. Estava bem pesada. Na quarta-feira de cinzas, um passeio em uma fazenda perto da cidade. Fui sentada em uma cadeira confortável acomodada na carroceria de uma caminhonete. Muito sacolejo na estrada sem asfalto, muito calor e um mergulho nas águas frias e cristalinas do Rio Formoso, antes do grito apavorado de uma moradora esbaforida avisando que naquele trecho do rio havia jacarés.

À noite, meu marido viajou e fiquei só com meu filho. Minha cunhada pediu à mãe que fosse dormir comigo, porque eu estava sentindo algumas dores. Por volta de uma hora, a primeira contração. Peguei um relógio e fiquei marcando os espaços de tempo entre uma e outra, rezando para que o dia clareasse. Meu filho parece ter pressentido. Acordou chorando alto, num desespero desconsolado que eu nunca tinha visto. Acomodei-o pertinho de mim, bem aconchegado e fiquei cantando baixinho até ele se acalmar e voltar a dormir.

Os intervalos entre as dores eram cada vez menores. Levantei devagar, tomei um banho, juntei umas roupinhas e chamei com cuidado minha sogra. Fui dirigindo uma caminhonete para o hospital. Nunca um lugar tão próximo me pareceu tão distante. Uns setecentos metros viraram quilômetros! Eu ia muito devagar e parei duas vezes para esperar que as contrações passassem. Eu tinha esperado muito para sair de casa, com pena de deixar meu filho sozinho com a avó.

A energia da cidade era produzida a motor e desligavam a iluminação logo cedo. Estava tudo muito escuro. O hospital, fechado. Bati à porta. Uma enfermeira me acomodou e foi chamar o médico. Fechei os olhos cansada e senti as mãos da minha mãe me segurando o rosto. Ouvi sua voz dizer com uma doçura infinita: “Minha filha…”. Abri os olhos espantada, sem entender como ela tinha chegado ali e o quarto estava vazio. Depois ela me contaria que na mesma hora tinha sonhado comigo, me chamando.

Minha filha chegou com o dia. No dia nove de fevereiro de 1978, uma quinta-feira, eu via a luz da manhã entrando devagar pelas janelas da sala. Parto normal. Quando cortaram o cordão umbilical, pedi que a pusessem sobre mim. Ficou deitada em meu colo. Eu chorava de emoção, de alegria. Só Deus sabe o que me custou entregá-la à enfermeira para os cuidados e a limpeza. Notei os cabelos finíssimos. Era macia e fofa aquela filha de Júpiter… segundo o significado do seu nome. E comecei a chamá-la com todo amor do mundo: Juliana, Juli, Ju, Juju, minha filha.

Por Haidée Camelo Fonseca, minha mãe!!

 

Beijos,

Ju

 

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  1. Nazaré disse: em 09.02.2016

    Não vale fazer a gente chorar assim com a singela beleza desse texto! Amo tu demais Ju, Juquinha!!! Bjs

  2. Polyanna disse: em 09.02.2016

    Que lindooo!!!

  3. Vanja disse: em 09.02.2016

    Lindo demais!!! bj

  4. Oziel disse: em 15.02.2016

    Que lindo minha sobrinha. Parabéns pelo seu aniversário e sua sensibilidade !!
    Te Amo!!

  5. Danielle disse: em 17.02.2016

    Minha amiga, que relato emocionante, parecia um roteiro de cinema, que delicado, que sutil, tão real, tão apaixonante… adorei saber um pouco mais sobre sua vida. Beijo enorme.

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